quarta-feira, 20 de abril de 2011

Do que falamos quando falamos de corpo?


Assim começa as indagações trazidas por Denise Najmanovich no livro “O Sujeito Encarnado”: Questões para a pesquisa no/do cotidiano" (2001). Denise aponta para o discurso que tende a reduzir, generalizar e universalizar o entendimento sobre corpo, trazido geralmente por um estilo impessoal de publicações científicas, reportagens de televisão ou até mesmo afirmações genéricas (os famosos jargões), do tipo: “Segundo os últimos estudos científicos...”

Percebemos que “no discurso da modernidade o enunciado é ocupado por um sujeito abstrato e universal” (Idem, p.7).  A preocupação não é somente com o discurso, mas com aquilo que o antecede: “a forma de ver o mundo”.  São reflexos de uma perspectiva linear, geradas “a partir de uma série de pressupostos subjacentes e desenvolvidos ao longo de vários séculos desde o renascimento, passando pela revolução francesa, até a atualidade” (Idem, p.7).

Como ponto de partida, Denise pretende romper com os discursos da modernidade, já tardia, buscando a afirmação da corporalidade do sujeito. A proposta é abrir portas ao pensamento complexo, pensar uma mente corporalizada e um corpo cognitivo emocional. Assim, a primeira coisa a saber é, do que estamos falando quando falamos de corpo. É importante perceber que, a todo momento, estamos trazendo para a linhagem verbal nossa experiência corporal.

Embora exista um paradoxo e uma impossibilidade de comparação, a linguagem verbal é parte da experiência corporal. A autora aponta para a articulação e comunicação existente entre ambas, que permite uma tradução parcial (e nunca completa) para a elaboração do discurso sobre a experiência corporal. “Sabendo sempre que falar da dor ou de prazer, e tentar descrevê-lo mais precisamente é uma tarefa interminável” (Idem, p.9).

Nesse sentido, parafraseando a autora Denise Najmanovich, quando eu falo de corpo, falo como noiva, professora, artista, bailarina, recém-formada, mulher cristã. Meu discurso tem – nesse caso- a forma da linguagem escrita ora estruturada pela academia, ora pela poesia, ora pelo dom jornalístico que possuo.  “Outras linguagens (pintura, escultura, vídeo, cinema, simulação de computador, dança, etc) criaram outros corpos, conforme diferentes perspectivas dentro de uma linguagem” (Idem, p.10).

2 comentários:

Nice de Paula disse...

Lindo blog Isa! E olha só, escreve muito, também, viu?
E pelo pouco que vi, naquele vídeo, deve ser um bailarina delicadíssima.
Parabéns!

Isa Sara Rêgo disse...

Nice, obrigada pelo carinho. Um dia vou conhecer a Cidade do Sol!!! Um beijo, Isa.