quinta-feira, 28 de junho de 2012

Fé e Tecnologia

Nas gerações passadas, a imagem e o projeto que se fazia da “Marca da Besta”, descrita no livro Bíblico de Apocalipse (Apoc. 13:15-18), assemelhava-se a um carimbo próprio para pele, um adesivo aprova d’água, ou para os mais modernos, uma espécie de código de barra tatuado na pele. Com a pele carimbada, seria possível fazer compras, ser identificado, sair às ruas sem qualquer perigo e sobreviver ao caos. Essa percepção de outrora da “Marca da Besta”, pode ser visualizada na famosa quadrilogia cinematográfica “O ladrão da noite”, que fez sucesso entre os protestantes no final da década de 1970. É no filme “A imagem da besta” (1979), onde os adesivos, códigos e tatuagens aparecem como condição imagética, do projeto da “Marca da Besta”. Mas, como um carimbo seria capaz de revelar a condição cultural, social e moral do cidadão? Seria como uma espécie de selo indicativo? Ah, sim, aí depois mostrar-se-ia a identidade, não? Mesmo que esdrúxulo imaginar a eficácia de um carimbo, nossos antepassados não abriram mão de crer nas escrituras e guardaram a lei e a graça em vossos corações.  

Então, é aqui que queremos chegar. O século XX viu nascer as irrepreensíveis novas tecnologias. Preferimos chamar de novas, pois a tecnologia sempre fez parte da vida do ser humano. No entanto, um tipo de tecnologia muito específica inaugura a cultura cyber, melhor dizer, a cibercultura: estamos falando da informática. Segundo a professora Lucia Santaella (2007), estamos vivendo a quinta geração de tecnologias comunicacionais, chamada: “Tecnologia da geração contínua”. Século XXI, e a sociedade contemporânea passa por transfigurações importantes com o advento das novas tecnologias de comunicação e informação. Estamos vivenciando profundas modificações nos espaços urbanos e redefinindo, num movimento crescente, as relações sociais. Por assim dizer, o projeto da “Marca da Besta” dessa geração, está longe de uma tatuagem, ou carimbo de pele. Quem sabe algumas pessoas, cogitaram a imagem do cartão de credito como um “cartão 666”. Mas com tanta tecnologia, o projeto para a “Marca da besta” está mais palpável do que antes. Chip, microchip, sensores, softwares avançados etc. Chegamos as principais questões que motivaram a escrita desse debate: A tecnologia representa uma ameaça a fé cristã? Como usar a tecnologia a favor da fé? 


Cunhados no embasamento bíblico e distantes da escrita tecnofóbica, pretendemos construir um debate apontando justamente para o uso das novas tecnologias, como ferramentas disponíveis para o trabalho. Não se trata de sermos contra ou a favor, o discurso dualista só reduz a possibilidade de analisarmos ambas posições em diferentes situações. Preferimos complexificar para avançar. Finalmente, o tema do nosso debate é “Fé e tecnologia”. Esses dois termos que vinheram militando durante um tempo, finalmente pretendem ser unidos, na busca de um diálogo emergente.   

A cibercultura não é um fenômeno meramente técnico, mas sobretudo social. É o resultado das convergências das novas tecnologias com a informática. Segundo o professor André Lemos (2000), a cibercultura é uma nova configuração técnica da cultura contemporânea. Tracemos então um breve panorama sobre o desenvolvimento da técnica.

A história da humanidade sempre foi permeada pela questão da técnica. Vejamos a formação da tecnicidade humana. Segundo o livro bíblico de Gêneses (Cap. 4:2), os filhos de Adão, Caim e Abel foram lavrador de terra e pastor de ovelhas, respectivamente. Pergunta-se: Qual é o instrumento necessário para lavrar a terra? Ou quais são os cuidados necessários diante de um rebanho de ovelhas? Alguns pré-historiadores relatam (apud LEMOS, 2000), que o processo de formação do homem vem junto com o processo de manipulação dos primeiros instrumentos, da formação de um pensamento simbólico e da utilização das linguagens. Ou seja, a formação do homem é tributária da formação da técnica (Leroi-Gourhan, 1964).O que vivemos hoje, nada mais é do que a radicalização desses processos.

O que nos interessa é a genuína atenção aos supostos projetos da “Marca da Besta”. Partimos de uma perspectiva social para continuarmos garantindo a integridade da fé cristã, assim como os nossos antepassados. Porém, não seremos néscios ao tratar a tecnologia com preconceitos, como se não usufruísse-mos da sua eficácia todos os dias. No contrário, ignoremos os carros, os liquidificadores, os secadores do cabelo, os produtos estéticos, a eletricidade, e claro, a internet. A ideia é mostrar que o que existe, hoje, não é um determinismo tecnológico e sim uma “evolução cultural cumulativa” (artefatos, objetos ou até mesmo convenções culturais, como a língua e os rituais religiosos, acumulam modificações ocasionadas por diferentes indivíduos no transcurso do tempo, a esse fenômeno denominamos evolução cultural cumulativa), que se organiza num novo ambiente social. Sem dúvida alguma, a  “Marca da Besta” já está sendo desenvolvida. E ao estudarmos, estaremos construindo um conhecimento específico para doutrinarmos na fé cristã.
Me ajude a construir esse debate!

Um comentário:

Edu Bergsten disse...

Fé e Tecnologia, estes temas não se contrapõem de forma alguma, pois necessariamente não precisam se opor ou ainda se reafirmarem.
A fé bíblica é em Deus e para Deus e os que possuem esta fé não são manipuláveis por mais nada, creem e vivem em torno desta crença. O conhecimento da Palavra de Deus nos leva escatologicamente para acontecimentos que são esperados, pela fé, pela Igreja, entre elas o arrebatamento, tribulação e milênio como defende o pré-milenismo. Dentro deste esperado acontecimento pela Igreja, encontramos o aparecimento do anti-Cristo e da Besta do Apocalipse logo após o arrebatamento da Igreja na época conhecida como Grande Tribulação. Neste período é que o “sinal da besta”, uma marca na mão direita ou na testa (Apocalipse 13:11-18), será obrigatória para todos que desejem comprar qualquer coisa, e os que aceitarem este sinal, apostataram definitivamente da sua fé.
Muitos fazem um link deste símbolo da besta com a tecnologia ou um componente tecnológico, entendendo o mundo que vivemos hoje, vemos que absolutamente aceitável que o seja, não fazendo da tecnologia a vilã do apocalipse, mas uma simples ferramenta como outra qualquer. Outro sim, o tão esperado acontecimento pós-bodas em que Jesus virá para julgar o mundo, no qual todo olho o verá (Apocalipse 1:7) é totalmente compreensível na ótica global em que vivemos. Presenciamos ao vivo tempos atrás o trágico 11 de Setembro, onde o mundo parou para ver o ataque terrorista mais ousado da história. Este fato só foi possível graças a tecnologia e da mesma forma a tecnologia contribuirá para “todo olho” ver o Rei dos Reis.
Desta forma não considero a tecnologia um mal em sua concepção, como ferramenta pode ser usada tanto para construção como para destruição, bastando a cada um sua manipulação e uso de uma forma correta e construtiva. Usemos como ferramenta para propagar o evangelho, entrando em lugares onde antes não poderíamos fisicamente, mas virtualmente abertos. Fé _+ Tecnologia = Propagação das Boas Novas.
Pr. Eduardo Bergsten – http://dudabergsten.blogspot.com.br